A cidade antiga, explicada
A cidade antiga classificada pela UNESCO: Ruínas de São Paulo, Largo do Senado e Templo de A-Má
Três marcos, com quatro séculos de diferença entre eles, dentro de uma cidade antiga classificada como Património Mundial que este tour percorre a pé numa única caminhada guiada.
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| Marco | Data de origem | O que é na realidade |
|---|---|---|
| Templo de A-Má | Primeiro pavilhão, 1488 | Um templo dedicado a Mazu, a deusa do mar, na Colina da Barra |
| Ruínas de São Paulo | Construído entre 1602 e 1640 | A fachada de uma igreja jesuíta, tudo o que restou de um incêndio em 1835 |
| Largo do Senado | Centro cívico colonial | Praça com calçada ondulada, o edifício do Leal Senado e arcadas |
| Todo o distrito | Inscrito em 2005 | Centro Histórico de Macau da UNESCO |
Um bairro mais antigo do que a maioria dos edifícios que o compõem
O Centro Histórico de Macau foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 2005, reconhecido por testemunhar um dos mais antigos e duradouros encontros entre a China e o Ocidente. Não é um monumento isolado, mas antes um conjunto pedonal de praças, igrejas e templos que se sobrepõem ao longo de quatro séculos de contacto entre duas tradições construtivas muito diferentes — e é precisamente por isso que uma visita guiada aqui se justifica mais do que faria num único local isolado. Compreender este bairro significa compreender a diferença de idade entre as suas partes individuais, e não apenas admirá-las uma após outra.
O Templo de A-Má, mais antigo do que a chegada dos portugueses
O primeiro pavilhão do templo foi concluído em 1488, dedicado a Mazu, a deusa do mar que protege marinheiros e pescadores em toda a tradição costeira do sul da China — décadas antes de os marinheiros portugueses chegarem à península em 1553. Situa-se na Colina da Barra, com vista para o Porto Interior que foi construído para vigiar, e é composto por vários salões que sobem pela encosta, em vez de um único edifício. A provável origem do próprio nome Macau é a forma como os marinheiros portugueses pronunciavam A-Má-Gau, «a baía de A-Má», em referência a este templo — o que faz dele, em boa verdade, o lugar que deu nome a toda a cidade, antecedendo discretamente o entreposto comercial que cresceu à sua volta.
As Ruínas de São Paulo, e o que realmente resta
O que hoje se ergue no topo da famosa escadaria é a fachada em pedra da Igreja da Madre de Deus, construída por padres jesuítas entre 1602 e 1640 como parte do complexo maior do Colégio de São Paulo. Um incêndio em 1835 destruiu o resto da igreja e o colégio em redor, deixando de pé apenas a parede frontal ricamente esculpida — cinco níveis de estatuária e simbolismo que se leem quase como um catecismo em pedra, segundo os relatos que sobre ela foram escritos. É a imagem que a maioria dos visitantes já associa a Macau antes mesmo de chegar, e ver a fachada ao vivo, sem nada por trás, é uma experiência diferente das fotografias que por aí circulam.
O Largo do Senado, e o calcetamento sob os pés
O calcetamento português em padrão de ondas — mosaico preto e branco assente na mesma técnica usada em Lisboa — é tanto o motivo da visita como qualquer monumento isolado. O edifício do Leal Senado, em tons pastel de amarelo e branco, ancora uma das extremidades do largo, e os edifícios com arcadas em redor continuam a funcionar como lojas ativas, e não como cenário de museu, o que confere a todo o largo uma textura diferente da de um sítio histórico puramente preservado. Este foi o antigo centro cívico e administrativo da colónia portuguesa, e continua a parecer exatamente isso, multidões e montras incluídas.
Percorrê-lo com um guia versus sozinho
As três paragens ficam suficientemente próximas para serem percorridas a pé em cerca de duas horas, mas o intervalo temporal entre a fundação do templo em 1488, a construção da igreja em 1602 e o posterior desenvolvimento cívico do largo perde-se facilmente sem alguém que ligue os pontos à medida que avança. Um mapa leva-o entre os três pontos; não lhe dirá porque é que um templo chinês do século XV, uma ruína jesuíta portuguesa do século XVII e um largo colonial dos séculos XVIII/XIX acabaram todos dentro do mesmo curto passeio, nem o que isso diz sobre quatro séculos da própria história de Macau — que é o argumento prático para escolher a versão guiada deste percurso em vez de encontrar os três pontos por conta própria.